A verdade sobre amores e duques - Querida conselheira amorosa #01 - Laura Lee Guhrke
Autora Laura Lee Guhrke,  Editora Harlequin,  Editora HarperCollins Brasil,  Literatura Estrangeira,  Resenha de Livros,  Série Querida conselheira amorosa

[RESENHA] A verdade sobre amores e duques – Querida conselheira amorosa #01 – Laura Lee Guhrke

Já vou começar essa resenha dizendo que cheguei à conclusão de que essa autora é mesmo uma das melhores romancistas de época lidas por mim. Há alguns anos eu tive a felicidade de ler o livro “Muito Mais Que Uma Princesa”, também escrito por ela. Foi o primeiro contato que tive com a escrita da Laura, e eu amei a história e os personagens como não havia amado nenhum outro casal. Os dois, e a autora, entraram pra minha listinha de preferidos naquele momento. Por isso foi uma felicidade imensa ver que a Harlequin publicaria esse livro dela. No momento em que vi o nome da Laura na capa eu pensei: MEU DEUS! PRECISO!

Tendo dito tudo isso, o que acredito ter sido necessário para que soubessem meu histórico de amor para com essa autora, vamos à resenha.
Neste livro temos Irene Deverill como mocinha e já inicio dizendo pra você esquecer tudo o que conhece sobre as mocinhas de romances de época convencionais. Esta não é tímida, ou submissa, ou ingênua, ou precisa desesperadamente de um casamento pra salvarhonrar sua família, sua reputação, ou para ter um propósito na vida, como a maioria das jovens dos livros desse gênero. Ela, na verdade, é independente, sufragista, lutadora ferrenha pelos direitos das mulheres, de classe média e não trai suas convicções ou ideais para agradar ninguém, tampouco para ser aceita na sociedade que a julga por ter uma carreira e ser solteira aos 26 anos de idade. Ah, ela também não pensa (ou precisa) de um homem ou casamento. No momento tudo o que lhe importa é alcançar seus objetivos profissionais.
Irene, após uma série de problemas financeiros e familiares, tomou para si a responsabilidade de sustentar seus entes queridos, quitar dívidas contraídas por seu pai e reerguer o jornal que era de sua família há duas gerações. Com muita força de vontade e coragem, ela consegue isso, faz da nova versão do jornal um sucesso, apesar de agora ele não ser exatamente o que seu avô deixara outrora. Uma de suas colunas mais lidas, por exemplo, é escrita por ela mesmo, e tem por objetivo dar conselhos amorosos a quem lhe escreve.
Pois é, uma mulher jovem, com uma carreira, lutadora pelos direitos das mulheres, solteirona e, ainda por cima, que dá conselhos amorosos para a aristocracia. Que ultraje! Mais uma criação assustadora da modernidade!
Na nata da sociedade temos Henry Cavanaugh, duque de Torquil, um homem severo, rígido, antiquado e de fortes convicções acerca do que é certo e errado para aqueles de sua estirpe, segundo o que lhe foi ensinado por seu pai e o que é ou não aprovado e aceito entre os de sua posição.
Henry é o chefe da família, cuida de todos a sua volta e acredita que esse é o seu dever. Não importando as circunstâncias ou o que precise ser feito, proteger sua família é o que ele precisa fazer, por isso, quando sua mãe, viúva do antigo duque de Torquil, escreve para um jornal de fofocas, pede conselhos à Lady Truelove sobre o caso que mantém com um pintor italiano, o amor que sente por ele e seu desejo de casar-se com o tal homem, e aceita que sua carta seja publicada no jornal, Henry assume a responsabilidade de mais uma vez cuidar dos seus; livrar sua família da vergonha pela decisão de sua mãe por um casamento inadequado fadado ao fracasso com um homem 17 anos mais jovem, sem perspectivas e sem título. E claro, fazer sua mãe mudar de ideia imediatamente. Mesmo que para isso precise fazer com que a causadora daquela decisão inconsequente seja impelida a contornar a situação que criou.
Mesmo que para isso precise chantageá-la de modo deliberado.
Quando duas pessoas tão distintas, certas de suas posições no mundo e de seus ideais, são unidas pelo destino desta forma, quantos embates e provocações podem ser evitados?
Não muitos, mores, podem ter certeza! (risos)
Após ser chantageada de uma maneira vil, e estando sem saída, Irene acaba indo parar na casa do duque com sua irmã mais nova, tendo como missão dissuadir a duquesa de sua decisão sobre o casamento, mas acaba tendo um plano diferente, que não a desvie de seus ideais e a livre de atrapalhar a felicidade de uma mulher apaixonada e sensata o suficiente para saber o que está fazendo.
O problema é que o plano não dá lá muito certo e as consequências são, senão desastrosas, assustadoras quando ela já acreditava que o duque não poderia lhe fazer sentir mais do que irritação e desprezo.
Vou parar de falar da história por aqui, se não perde um pouco da graça, né? Mas acredito que haja informação suficiente para ter uma ideia de como eles se conhecem, quais problemas precisarão ser enfrentados por eles e a ideia de como se envolverão.
De um modo geral, posso dizer que nessa nova leitura eu pude comprovar o poder dessa autora de me fazer amar seus personagens, histórias e a sua escrita leve, fluída e viciante! O Henry, apesar da capa rígida e dos preceitos obsoletos, é um mocinho apaixonante. Não sei se é porque eu adoro o mocinho certinho, que tenta fazer tudo por todos a sua volta e em algum momento percebe que não consegue controlar o mundo ou o modo como ele gira, apenas pra fazer o melhor por sua família, mas ele me conquistava mesmo quando eu queria bater nele. As ideias machistas dele, as convicções deturpadas e as crenças que ele demonstrou com arrogância em alguns momentos são compreensíveis para a época, para o modo que ele foi criado, e para o que foi e estava enraizado na sua família e sociedade. Tu odeia ele por coisas que ele fala, mas ao mesmo tempo entende como aquilo foi incutido na mente dele desde cedo, sabe? (espero que eu esteja me expressando bem sobre isso)
A Irene é uma mocinha que você admira, mas, ao mesmo tempo, sente que poderia ser um pouco mais flexível uma ou outra vez, e mesmo sentindo isso, você também consegue entendê-la e admirá-la. Ela que não leva desaforo pra casa, nem aceita o que é imposto, ou age como se precisasse de alguém do lado dela pra tudo. É bem à frente da época em que vive, e uma coisa interessante sobre isso é que você percebe que isso também se deve ao modo que ela foi criada, ao histórico familiar e social. Eu adorei isso. A autora mostrou como duas pessoas com personalidades parecidas, mas histórias de vida diferentes, tiveram formados seu caráter e ideais. Como reagiram diante dos baques da vida, das desigualdades e como tomaram para eles as responsabilidades sobre suas famílias. E é incrível, divertido e apaixonante ver essa interação entre eles, vê-los se perceberem como iguais e ao mesmo tempo diferentes, vê-los se conhecerem, se entenderem e se apaixonarem mesmo quando tudo em suas vidas é tão destoante do que é aceito ou esperado na vida do outro.
É um romance, sim, mas não fala apenas sobre amor e atração, mas sobre como nossas crenças e certezas podem mudar quando nos deparamos com alguém que nos mostre uma visão diferente e também real, fala também sobre como o amor e as pessoas nos fazem crescer, nos tornar pessoas melhores e querer ser melhores por todos a nossa volta, mas também por nós mesmos; sobre como mudar é uma escolha e que essa mudança não depende apenas do meio, mas do seu desejo de mudar; que aceitar que a felicidade de quem se ama, não é e nunca será determinada sobre sua própria ideia de felicidade.
Resumindo, eu amei muito esse livro, recomendo muito e sem medo a todos que, como eu, são apaixonados por romances, por mocinhas fortes, por leituras que, mais do que nos fazer suspirar, nos ensinem um pouco mais sobre o que é amar e aceitar as pessoas e tudo o que é diferente nelas.
Espero que tenham gostado da resenha, eu concluí a leitura em menos de vinte e quatro horas, já não sentia que precisava escrever uma resenha desta forma há muito tempo, então estou feliz por tê-lo feito.
Se forem ler, espero que gostem <3
Leia A Verdade Sobre Amores e Duques

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